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Polícia prende suspeito de participar de massacre com 14 mortos no Ceará

MORTES EM FORTALEZA - Polícia prende suspeito de participar de massacre com 14 mortos no Ceará. Moradores relatam medo de sair às ruas. Secretário da Segurança confirma que é a maior chacina do Ceará.
É a maior chacina já registrada no estado. 8 feridos estão internados, e polícia investiga se há ligação com guerra de facções.
Do G1
Governador se pronuncia
O governador Camilo Santana se pronunciou oficialmente sobre o caso por meio de seu perfil no facebook. Camilo definiu a chacina como um "ato selvagem e inaceitável". O governador informou ainda que se reuniu com o secretário André Costa e com membros da cúpula da SSPDS.

"Determinei rigor absoluto nas investigações e busca incessante dos criminosos, para que todos os envolvidos sejam identificados e presos o mais rápido possível. Não aceitaremos de forma alguma que esse tipo barbárie fique impune", escreveu o governador.

Marcas de violência
Ataque a tiros em Fortaleza também fez vítimas fora do clube de forró
O G1 esteve no local do crime horas após a chacina. Os moradores relataram que "têm medo de sair de casa até pra comprar pão". Eles contaram que um motorista que tinha acabado de deixar um passageiro e um vendedor de cachorro-quente morreram no tiroteio. O filho do ambulante, de 12 anos, é um dos feridos.

Um outro morador, que preferiu não se identificar, disse que os suspeitos estavam armados com pistolas e fuzis, usando coletes e balaclavas. Ele contou que o tiroteio durou cerca de 40 minutos.

"Parecia um filme. Muito tiro e depois quando deixaram o local eles ainda cantaram uma música de uma facção criminosa e atiram para o alto", afirmou.
Um comerciante disse que estava indo vender bebidas no local, quando começou o tiroteio. "Eles apareceram atirando. Matando quem aparecesse pela frente. Eu entrei em casa e os vi atirando no motorista do Uber. O passageiro correu e os criminosos atiraram nela, mas ela, graças a Deus, escapou", disse o homem.

Há marcas de bala nas paredes das casas, no local da festa e nos veículos que estavam estacionados na via. Apesar da chuva, a calçada da casa de forró ainda estava coberta de sangue na manhã deste sábado.

O secretário André Costa afirmou que a polícia está "engajada" no caso e "não há motivo para pânico e temor". Ele negou que há risco de represálias entre as facções. "A polícia está engajada no caso e vamos dar a resposta que a sociedade merece", disse.

"São eventos isolados, que ocorrem no mundo todo, casos com 50 mortes, 60 mortes. São ações planejadas, que em alguns casos, com o trabalho da Inteligência da polícia, nós conseguimos evitar e não são noticiados. Nesse caso, infelizmente, nós não conseguimos evitar."

Em dezembro de 2017, ano em que o Ceará teve um recorde no número de homicídios, o governador do Ceará, Camilo Santana, havia dito que 82% dos homicídios ocorrem em consequência do conflito entre facções que disputam territórios de tráfico de drogas.

Relato de sobrevivente
"Está muito horrível, muito horrível mesmo, muita gente baleada no chão", disse um sobrevivente, em mensagem compartilhada em rede social. A PM confirmou que se trata da declaração de uma testemunha que pediu para não ter o nome divulgado.

Algumas testemunhas falam em dezenas de pessoas chegando e atirando, sem dar chance de defesa; outras falam que eram um grupo de 15 bandidos, em três carros, fortemente armados, segundo a Polícia Militar.

Buscas pelos suspeitos
O PM ouvido pelo G1 afirmou também que os policiais realizam uma força-tarefa momentos após o crime em busca dos autores. Um helicóptero da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) sobrevoava a região.

O policial afirmou que não pode informar detalhes sobre as buscas ou eventual identidade dos suspeitos.

Outras chacinas
Em 12 de novembro de 2015, 11 pessoas morreram na Chacina da Messejana - a maioria era adolescente. Mais de 40 policiais foram presos suspeitos de envolvimento na sequência de homicídios, e 33 deles vão a julgamento. A suspeita é de que os policiais mataram os menores como "retaliação" pelo assassinado de um policial militar, horas antes da chacina. Não há provas de que as vítimas da chacina tenham relação com a morte do policial.

Neste ano, já havia acontecido uma chacina no município de Maranguape no dia 8 de janeiro. De acordo com a polícia, quatro homens foram assassinados enquanto dormiam em uma residência.

Em 2017, o Ceará registrou pelo menos seis chacinas. A primeira ocorrência com mais de três assassinatos foi no dia 21 de fevereiro, quando cinco pessoas foram mortas no Bairro Bom Jardim, em Fortaleza. A chacina com mais mortes no ano de 2017 ocorreu no dia 3 de junho, em uma casa de veraneio no Porto das Dunas, em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza. Criminosos invadiram a residência durante uma festa e excutaram seis pessoas.

Já em junho, um tiroteio em um bar deixou cinco pessoas mortas no município de Horizonte, Região Metropolitana de Fortaleza. Dentre as vítimas, estão uma criança de três anos e a sua mãe. No dia 20 de julho, quatro homens foram assassinados a tiros no município de Paraipaba, litoral oste do Ceará. Segundo a polícia, dois homens em um carro deitaram as vítimas no chão e atiraram.

Um dos casos de maior repercussão foi a chacina ocorrida no dia 13 de novembro, no Centro de Semiliberdade Mártir Francisca, no Bairro Sapiranga. Criminosos armados invadiram o local e assassinaram quatro adolescentes em conflito com a lei. Outro caso grave registrado foi no dia 4 de dezembro, no município de Ipueiras. Um homem incendiou a casa e matou mulher e três crianças. O suspeito do crime foi preso. Segundo a polícia, a chacina foi motivada por motivos de ciúmes.

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