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Presidente do INSS é demitido após contratação irregular de empresa

Francisco Lopes contratou uma empresa de informática para fornecer programas de computador ao órgão, mas a a sede fica numa loja de bebidas.
Francisco Lopes foi demitido. O INSS divulgou nota dizendo que, quando Lopes assumiu o cargo, o processo de contratação estava adiantado.

O presidente do INSS perdeu o emprego, nesta quarta-feira (16), depois da revelação de que ele fechou um contrato milionário com uma empresa de fachada.

A demissão de Francisco Lopes da presidência do INSS sai na quinta-feira (17) no Diário Oficial. O governo não teve outra resposta para a denúncia publicada na edição desta quarta do jornal “O Globo”.  

O jornal afirmou que “a RSX Informática LTDA, um estabelecimento que se parece com uma distribuidora de bebidas, está registrada como uma companhia especializada no desenvolvimento de softwares de última geração” e que “no mês passado, ela fechou um contrato de R$ 8,8 milhões para vender ao INSS um programa de computador e fornecer treinamento a servidores do órgão”.

O INSS contratou a RSX para fornecer um programa de varredura, com o objetivo de proteger o sistema de aposentadorias e pensões contra a corrupção.

Mas a reportagem do “Globo” esteve no endereço da empresa no dia 9 de maio. Encontrou um pequeno depósito de bebidas. Na terça-feira (15), a mesma sala tinha virado escritório com logo da RSX.

O corpo técnico do INSS alertou o presidente do instituto de que os programas da empresa não tinham utilidade para o órgão. Mesmo assim, Francisco Lopes se fiou numa ata de preços que dispensa licitação. Chegou a liberar R$ 4 milhões à empresa sem ter recebido nenhum serviço.

Segundo a reportagem do “Globo”, Lopes confirmou ter gasto essa fortuna sem verificar a procedência da RSX.

Francisco Lopes ainda tentou reagir. Cancelou o contrato do INSS com a RSX e disse que ia mandar investigar o caso. Lopes foi uma indicação do PSC, do líder do governo André Moura, fiel aliado de Temer.

O partido ainda tentou manter o apadrinhado no cargo, mas, nos bastidores, sabe-se que o Planalto decidiu logo pelo afastamento de Francisco Lopes para tentar evitar uma contaminação do governo. Ainda na terça-feira, o líder do governo postou uma foto com Francisco Lopes fazendo elogios ao, agora, ex-presidente do INSS.

Em nota, a RSX Informática disse que é vítima de uma campanha insidiosa de difamação, que não últimos 12 anos levou serviços a diversos órgãos públicos, sempre por meio de processos de licitação pública e que está a inteira disposição de todos os órgãos de controle.

Na noite desta quarta, o INSS divulgou nota dizendo que o presidente do INSS assumiu o cargo em dezembro de 2017, ou seja, o processo de contratação da RSX já estava adiantado, e que a condução desse processo se deu pelas áreas técnicas do INSS, cujos titulares já estavam nos seus cargos antes da posse do atual presidente. Esses técnicos foram nomeados pela direta influência do ex-ministro Osmar Terra, do MDB.

O Tribunal de Contas da União afirmou que vai investigar contratos da RSX e que a empresa já recebeu, em 2018, quase R$ 2 milhões em contratos com outros órgãos.

Osmar Terra declarou que Francisco Lopes está tentando fugir das suas responsabilidades mentindo e que os indicados no INSS são de responsabilidade do PSC.

O Partido Social Cristão afirmou que não indicou Francisco Lopes para a presidência do
INSS e que ele não é filiado ao partido.

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